O plano de TI da Anatel lista 120 sistemas e diz o que vai acontecer com cada um — inclusive os que

Existe uma portaria em vigor, publicada no fim de 2025, cujo anexo é a lista completa dos sistemas da Anatel — 120 soluções — com a estratégia declarada para cada uma: evoluir, substituir, atualizar, manter ou desativar.

Não é documento de imprensa nem apresentação: é o inventário que a própria Agência usa para planejar. E, entre as 120 linhas, estão os sistemas em que o provedor entra todo mês — o da coleta de dados, o da declaração do Fust, o do licenciamento e o da homologação de produtos.

Neste artigo

O que é o documento — e por que ele é público

A Portaria Anatel nº 3109, de 26 de dezembro de 2025, assinada pelo Superintendente de Gestão Interna da Informação, institui o Plano de Atualização de Soluções e Ferramentas de TIC (PASFTIC). Ela é uma portaria normativa vigente, publicada na página de legislação da Agência — e o art. 7º manda que o inventário de soluções, mantido pela Gerência de Desenvolvimento de Sistemas, esteja no anexo e seja mantido “permanentemente atualizado”, contendo “finalidade, ciclo de vida (EOL) e estratégia para solução”.

É esse anexo que interessa aqui. Cada linha traz sigla, descrição, tecnologia (de Outsystems e Java a ASP clássico), tipo, situação, se é crítico, a unidade dona do produto, o responsável técnico e, nas duas últimas colunas, “Final do Ciclo de Vida?” e “Estratégia para a Solução”.

Os números: 120 sistemas, 28 em fim de ciclo de vida

Contamos as linhas do anexo, uma a uma. O resultado — contagem nossa, a partir do texto publicado:

Inventário de sistemas da Anatel Soluções
Total inventariado 120
Estratégia “Evoluir” 41
Estratégia “Substituir” 26
Estratégia “Atualizar” 26
Estratégia “Desativar” 14
Estratégia “Manter” 13
Marcadas “Final do Ciclo de Vida? Sim” 28
Finalísticas (atividade-fim da Agência) 54
Fonte: anexo da portaria da Anatel com o inventário de soluções (em vigor desde o fim de 2025). Contagem nossa, linha a linha.

Um em cada três sistemas, portanto, está marcado para sair do jeito que está: entre substituir e desativar são 40 das 120.

Gráfico de barras com a contagem de sistemas por estratégia: 41 evoluir, 26 substituir, 26 atualizar, 14 desativar e 13 manter.
As 120 soluções do inventário por estratégia declarada — contagem nossa sobre o anexo da portaria.

Os sistemas que alcançam o provedor, um a um

Separamos as linhas que um prestador de serviço de telecomunicações reconhece:

  • SICI — Sistema de Coleta de Informações: situação registrada como “Candidato a desativar”, fim de ciclo de vida Sim, estratégia Desativar.
  • ColetaDados — Sistema de Coleta de Dados Anatel: ativo, feito em Outsystems, estratégia Evoluir. É o caminho que fica — o mesmo por onde passa a declaração de acessos que a fiscalização confere.
  • SFUST — Sistema de Acolhimento da Declaração do Fust: ativo, em ASP, estratégia Substituir.
  • STEL — Sistema de Serviços de Telecomunicações: ativo, em ASP, marcado como crítico, estratégia Substituir. É o sistema por trás dos códigos de serviço usados no licenciamento de estações.
  • Mosaico — Licenciamento de Telecomunicações (SMP/SLP e outros): ativo, crítico, estratégia Evoluir. O mesmo vale para os módulos de Outorga e Dispensa de Autorização, de Gestão do Espectro e de Medições de RNI.
  • Mosaico — UTE, Mosaico — Canalização e Mosaico — Ferramenta Spectrum-e: estratégia Substituir.
  • SBCDTA — emissão de Comprovante de Dispensa de Autorização: ativo, estratégia Evoluir — é por ele que sai o comprovante de quem opera sob dispensa de autorização.
  • SPADO — Sistema Integrado de Controle de Processos Pado: fim de ciclo de vida Sim, estratégia Substituir.
  • SIACCO — Acompanhamento de Controle Societário: fim de ciclo de vida Sim, mas estratégia Manter.
  • e-Fiscaliza (Evoluir), FISCALIZA (Substituir, fim de ciclo Sim) e RADAR (Manter, fim de ciclo Sim): os sistemas por onde correm as ações de inspeção e os prazos que elas seguem.

O caso SCH → Certifica: a norma confirma a troca

Quem homologa produto acompanha a mudança do sistema de certificação. O inventário resolve a dúvida sem depender de aviso: o Mosaico — SCH (Sistema de Certificação e Homologação de Produtos), escrito em Java, aparece com fim de ciclo de vida Sim e estratégia Desativar. E o CERTIFICA — Sistema de Certificação da Anatel, em Outsystems, aparece como linha própria, com situação “Em desenvolvimento”, marcado como crítico e com estratégia Evoluir.

Há ainda uma terceira linha na mesma família: o SGCH — Sistema de Gestão de Certificação e Homologação, com fim de ciclo de vida Sim e estratégia Substituir.

Isso conversa com o que a Agência publica na área de regulado: a página de Certificação de Produtos, atualizada em 4 de setembro de 2026, anuncia o “Certifica — Novo Sistema de Emissão de Certificados” e diz, com todas as letras, que “a nova plataforma Certifica substitui o antigo SCH”. Duas fontes oficiais, o plano interno e a página pública, dizendo a mesma coisa — e é bom que digam, porque não existe ato normativo criando o Certifica: procuramos na legislação da Agência, por expressão exata, e não há resolução, portaria ou resolução interna que o institua.

Lista com dez sistemas da Anatel e sua estratégia: SICI desativar, ColetaDados evoluir, SFUST substituir, STEL substituir, Mosaico SCH desativar, CERTIFICA evoluir, Mosaico Licenciamento evoluir, SBCDTA evoluir, SPADO substituir e SIACCO manter.
Os sistemas do inventário que alcançam quem presta serviço de telecomunicações, com o destino de cada um.

As regras que o plano impõe — e o que elas explicam

O corpo da portaria é de governança interna, mas três dispositivos ajudam a entender o comportamento dos sistemas que você usa:

  • Art. 6º, V: é vedado usar, em produção, versão obsoleta ou sem suporte, salvo exceção formalmente justificada com análise de risco. É a regra que força troca de plataforma mesmo quando o sistema “ainda funciona”.
  • Art. 6º, IV: solução sem atualização por mais de 24 meses deve ser reavaliada quanto a riscos.
  • Art. 8º: as atualizações são classificadas em quatro classes — A (críticas, imediatas, por falha grave de segurança, fim de suporte ou exigência normativa), B (importantes), C (evolutivas) e D (oportunistas, em janelas de manutenção rotineira). Quando um sistema sai do ar fora de hora, é a classe A que costuma explicar.

O art. 9º ainda exige plano de rollback e validação por testes antes de cada atualização, e o art. 15 manda revisar o plano ao menos uma vez por ano.

⚠️ Como ler esse inventário sem errar

“Estratégia” não é cronograma. O anexo não traz datas de desativação nem de substituição. Ele diz o rumo, não o dia.

O retrato é de dezembro de 2025 — a portaria é de 26/12/2025, e a página registra atualização em 25 de fevereiro de 2026. O próprio art. 7º manda manter o inventário atualizado, então a lista muda.

É documento de trabalho, e isso aparece. Uma das linhas descreve o sistema como “Foi um sistema??????? O banco ainda existe em PD” — está assim no anexo publicado, e é um bom lembrete de que se trata de inventário operacional, não de peça de comunicação.

O que o provedor faz com isso

  • Não escreva procedimento interno amarrado a uma tela. Quarenta dos 120 sistemas estão marcados para substituir ou desativar; documente o que precisa ser entregue — a lista está no guia das obrigações das prestadoras de pequeno porte —, não onde clicar.
  • Exporte e guarde comprovantes. Em sistema marcado para desativar — o SICI é o caso mais claro — o histórico pode não migrar inteiro. Protocolo e recibo salvos localmente valem mais que a confiança na tela.
  • Trate a homologação como área em transição. O SCH está marcado para desativar e o Certifica está “em desenvolvimento”: confira em qual sistema o seu fornecedor obteve o certificado e mantenha o código de homologação registrado.
  • Espere mudança na declaração do Fust. O SFUST está marcado para substituir; quem monta a declaração com base em passo a passo antigo vai ter de refazer o roteiro.
  • Se houver acesso remoto aos seus sistemas, o inverso também vale: a Agência exige que o acesso on-line preserve integridade e continuidade — a mesma disciplina que ela aplica aos próprios sistemas.
  • Assine as comunicações da Agência sobre sistemas. Como não há norma criando ou desligando cada plataforma, o aviso costuma vir por página de regulado e por comunicado — não por publicação normativa.
Passo a passo em 6 etapas: Não escreva procedimento interno amarrado a uma tela; Exporte e guarde comprovantes; Trate a homologação como área em transição; Espere mudança na declaração do Fust; Se houver acesso remoto aos seus sistemas, o inverso tam
O passo a passo da seção “O que o provedor faz com isso”, em 6 etapas.

O que este artigo não diz

Não há datas. Nem de desativação, nem de substituição, nem de migração. Quem precisar de prazo terá de perguntar à Agência.

Não avaliamos o Certifica por dentro. A notícia da Anatel que explica o acesso e os modelos de avaliação suportados não abre para leitura automatizada — o portal responde erro para páginas de notícia —, e por isso não descrevemos o funcionamento do sistema novo.

Não conferimos a execução. Saber se cada estratégia foi cumprida desde dezembro de 2025 exigiria acompanhar o plano de TI, que não é publicado com esse detalhe.

Os agrupamentos e a contagem são nossos, feitos sobre o texto do anexo. A Agência não publica esse resumo.

Não tratamos dos sistemas de gestão interna (recursos humanos, contratos, compras), que são a maior parte das outras 66 linhas.

Onde conferir

Fontes: Anatel — Portaria Anatel nº 3109, de 26 de dezembro de 2025, que institui o PASFTIC, com o texto integral e o anexo com o inventário das 120 soluções, de onde vêm todas as linhas citadas: o art. 6º (diretrizes, inclusive a vedação de versão sem suporte em produção e a reavaliação após 24 meses), o art. 7º (o inventário e seu conteúdo mínimo), o art. 8º (as classes A a D), o art. 9º (fases da atualização e plano de rollback) e o art. 15 (revisão anual). A portaria cita como fundamento a Instrução Normativa SGD/ME nº 94/2022 (PDTIC), a Estratégia Federal de Governo Digital 2024-2027, a Lei nº 13.709/2018 e a Resolução Interna Anatel nº 463/2025 (POSIN). Anatel — página de Certificação de Produtos, atualizada em 4 de setembro de 2026, onde consta que “a nova plataforma Certifica substitui o antigo SCH”. Brasil — Decreto nº 10.609, de 26 de janeiro de 2021, que dispõe sobre a Política Nacional de Segurança da Informação e é um dos fundamentos declarados da portaria. Consultas feitas em 7 de setembro de 2026. A contagem das 120 linhas por estratégia, a separação dos sistemas que alcançam o prestador e a leitura de que “estratégia não é cronograma” são nossas.

Conteúdo técnico e regulatório sobre telecomunicações, engenharia e conectividade, produzido e revisado pela Transmitter Engenharia.

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