Minas Gerais tem 160 empresas com espectro de banda larga — mais que São Paulo, que tem 128. Mas São Paulo concentra 24 mil atos contra 9,3 mil de Minas. Os dois números juntos descrevem dois mercados diferentes: um com muitos operadores pequenos, outro com menos operadores e mais alcance. Contamos os 903.351 atos de radiofrequência que a Anatel publica em dados abertos e montamos o mapa estado por estado — incluindo os 4.156 municípios onde há pelo menos um ato de banda larga.
Neste artigo
- O mapa: quantas empresas têm espectro em cada estado
- A inversão entre Minas e São Paulo
- O Paraná é o caso mais denso do país
- 4.156 municípios — e o que isso não significa
- A armadilha do “Todos os municípios”
- Como ler o seu estado nesse mapa
O mapa: quantas empresas têm espectro em cada estado
Contando os titulares distintos — por CNPJ ou CPF — com ao menos um ato de radiofrequência de banda larga fixa, incluindo radioenlace, em cada unidade da federação:
- MG — 160 entidades · 9.377 atos
- SP — 128 entidades · 24.041 atos
- GO — 87 entidades · 3.423 atos
- PR — 73 entidades · 16.138 atos
- RS — 61 entidades · 6.455 atos
- MT — 54 entidades · 1.367 atos
- PA — 47 entidades · 1.281 atos
- BA — 45 entidades · 3.175 atos
- MS — 44 entidades · 1.540 atos
- RJ — 43 entidades · 1.655 atos
- ES — 34 entidades · 1.305 atos
- SC — 31 entidades · 1.425 atos
As 27 unidades da federação têm pelo menos uma entidade com espectro de banda larga. Não há vazio absoluto no mapa — o que há é diferença grande de densidade.
A inversão entre Minas e São Paulo
O par mais instrutivo do levantamento. Minas tem mais empresas (160 contra 128), e São Paulo tem quase três vezes mais atos (24.041 contra 9.377).
A média por entidade explica: em São Paulo são 188 atos por empresa; em Minas, 59. Isso descreve dois mercados com formatos distintos — um em que menos operadores cobrem muito mais território cada um, e outro em que muitos operadores cobrem áreas menores.
Para quem opera em Minas, o dado tem leitura direta: é o estado com mais concorrentes potenciais usando rádio licenciado no país. Para quem opera em São Paulo, a concorrência é menos numerosa e mais capilarizada por empresa.
Vale a mesma ressalva que fizemos ao mapear a concentração por serviço: ato não é megahertz nem é empresa. Um ato se repete por município de área de prestação. Os números medem presença e alcance geográfico declarados, não quantidade de espectro.
O Paraná é o caso mais denso do país
Se São Paulo tem a maior média por empresa em números absolutos, o Paraná é o caso que mais chama atenção proporcionalmente: 73 entidades para 16.138 atos — média de 221 atos por entidade, a mais alta entre os estados com muitas empresas.
E isso aparece também na lista de municípios com mais atos de banda larga: entre os oito primeiros do país, seis são paranaenses — Toledo, Maringá, Tibagi, Curitiba, Paranavaí e Guarapuava, todos com mais de 40 atos.
O que o dado sugere, sem afirmar causa, é um parque de enlaces de rádio maduro e capilarizado no estado. Para quem opera lá, significa que o espectro licenciado já é infraestrutura estabelecida, não exceção.
4.156 municípios — e o que isso não significa
O arquivo registra ato de banda larga em 4.156 municípios distintos. O Brasil tem pouco mais de 5.500, então a cobertura declarada alcança cerca de três quartos deles.
Duas leituras que não se sustentam nesse número, e é importante dizer:
- Não significa que há internet via rádio em 4.156 municípios. O ato autoriza o uso da frequência; ele não prova que o enlace está instalado e operando.
- Não significa que os outros ~1.400 estão sem internet. A maioria dos provedores opera em fibra, que não exige autorização de radiofrequência — e por isso não aparece neste arquivo.
O que o número diz, com segurança, é onde existe autorização de espectro declarada. Para o quadro completo de quem presta serviço, o caminho é outro: os recursos de numeração no Registro.br e do ASN e os cadastros de prestadoras alcançam muito mais empresas do que o espectro.
A armadilha do “Todos os municípios”
Ao ordenar os municípios por quantidade de atos, os dois primeiros colocados não são cidades: aparecem como “Todos os municípios”, no Amazonas e em Goiás, com 76 e 52 atos.
É o preenchimento usado quando a área de prestação é estadual, e não municipal — o arquivo tem uma coluna própria de tipo de área de prestação justamente para isso. Quem ordenar a coluna de município sem olhar o tipo de área conclui que existe uma cidade chamada “Todos os municípios” liderando o ranking.
Parece detalhe, mas é a diferença entre um mapa correto e um mapa com duas cidades inventadas no topo. É a mesma classe de cuidado que registramos ao encontrar duas formatações de data misturadas na mesma coluna deste arquivo.
Como ler o seu estado nesse mapa
Três perguntas que o provedor responde baixando o arquivo e filtrando pela própria UF.
Quantos concorrentes com espectro existem aqui? Contar CNPJ distintos no seu estado dá o número. Em Minas são 160; em Santa Catarina, 31. O mesmo negócio enfrenta ambientes diferentes.
Eles estão nos meus municípios? O arquivo traz município e código IBGE. Filtrar pelas cidades onde você atende mostra quem já tem autorização ali — e em qual faixa.
Que faixas estão sendo usadas na minha região? A coluna de frequência permite ver as faixas mais comuns por área, informação útil ao planejar enlace novo e evitar disputa onde já há ocupação declarada.
Nada disso exige cadastro ou pedido de acesso: é um arquivo público, atualizado pela agência. E organizar essa consulta é parte do mesmo cuidado com dados próprios que aparece nas obrigações das prestadoras de pequeno porte e no acompanhamento que cabe ao responsável técnico junto ao CFT. Para quem está montando a operação e vai precisar de enlace licenciado, o caminho completo está em como legalizar um provedor de internet, e o que a outorga Anatel exige antes disso vale a leitura.
Fonte: Anatel — dados abertos, pacote Atos de Radiofrequência de Telecomunicações (903.351 registros). Números apurados por contagem direta sobre o arquivo, em 1º de setembro de 2026.
